A vida tem-me encaminhado a escrever um pouquito mais no blog Montinhos de Luz, naõ tenho escrito muito na internet, porém sempre que posso gosto de vos encontrar, para conversarmos um pouco.
Sejam felizes.
A vida tem-me encaminhado a escrever um pouquito mais no blog Montinhos de Luz, naõ tenho escrito muito na internet, porém sempre que posso gosto de vos encontrar, para conversarmos um pouco.
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Era uma vez, digo-te, era assim que começava, escuta. Depois das horas o zero que era tudo, a alma que animava, a vida feita água, numa gota que deslizava pelo rosto. Escuta, depois tudo ficou quente, fervia o corpo e a gota evaporou-se na zona dos mamilos, a mão, nervosa quis recolher o que podia nessa zona, logo que se satisfez, como um mastro revoltou-se no ar a lança do sexo e a mentira não sobreviveu, apenas a realidade se fez presente no retumbar dos movimentos. A ilusão criativa do passado desfez-se e os gemidos ecoavam claros, cintilantes de uma realidade presenciada. No final, tudo se desfez em ilusão, no final a efemeridade do momento parecia que ter sido sonhada, nunca vivida, aqueles gemidos nunca teriam sido escutados? Não, nunca foram. Tudo é ilusão, sobreviventes da memória os dias fazem-se e crescem como mentiras. A verdade é uma mentira? Diz-me, agora que escutaste, diz-me se a verdade é uma mentira. Escuta-me e contempla as palavras.
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A vida é branda quando o rio da existência corre como um fio, quando o mar se aproxima, nada mais há para contar, a história vai deixar de ser escrita. A história do rio levará o seu ponto final. O mar, esse grandioso fluxo de existência, não conta histórias. O mar, esse grande fluxo, tal como a vida, é um exímio existencialista. As histórias são para entreter, para matar o tempo e jamais importam à vida. Queres ouvir uma história? Não ouças! Procura a vida e vivendo-a torna-te a história que querias escutar (apenas com o propósito de colmatar a existência). Enfrenta com coragem a vida, vive-a, sem nunca quereres ouvir a sua história.
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Caros leitores,
Começamos um novo ano, 2010 já faz parte da existência de todos nós. Desejo, acima de tudo, que este ano seja, dia a dia, a realização plena da existência. Desejo que a revolução das mentalidades aconteça de uma vez e que todos possamos viver na plenitude de Buda, de Cristo, enfim, de nós. Desejo muito, porém, nada do que anseio é impossível de realizar, e isto porque o que aqui é desejado já existe, porém, como um som que, por não o notarmos, julgamos até não existir, julgamo-lo impossível. Não é! Precisamos, isso sim, de encaminhar os nossos sentidos, até que, como um milagre, ouvimos o som, e, uma vez percepcionado, com maior facilidade o escutaremos em cada dia do nosso futuro. O presente é o caminho para o futuro, é, então, aqui e agora – e apenas aqui e agora – que podemos ouvir o som, que podemos sentir a existência, que podemos ser quem, na verdade, somos. Conversa batida, aceito, mas, de facto, não conheço outras palavras que nos encaminhem tão bem como estas. É este caminho de terra já batida que tenho vindo a percorrer, e é este som que espero que todos venhamos a ouvir com maior frequência. Que 2010 seja, então, o ano em que todos escutemos esse som que tanta falta faz ouvir.
Votos de passadas felizes, plenas de compaixão.
Nuno Firmino
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O Natal, dia, hora, instante de existência. Ciclo. Roda que roda, que circula pelos milénios, e tu e eu assim, circulando, assim, como o Natal. Ressuscitando o deus que há na existência, assim somos eu e tu, uma luz que se desvenda de tempos a tempos num céu bonito. Uma luz que renasce a cada ciclo. Vem comigo renascer um dia, num tempo outro, onde o mundo que conheces é outro mundo, algo desconhecido para nós os dois. Arriscas? Ninguém perde, porque nada somos, aliás, se formos, repararás que ninguém é. Simplesmente julgamos que somos e isso não é necessariamente mau. É bom sentirmos que somos, que existimos, isso faz parte da graça de renascer. Vem agora, ou não mais poderás. Não sei. Não sei, não me perguntes o que eu não sei. Apenas sei o que te disse. Adeus – regressarei para o ano, por esta altura, isso é certo. Eu regressarei, e tu? Vem comigo agora. A decisão é tua. Vem para renasceres, na certeza de que assim é.
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Em cima da vida um touro. Cobrindo-a, ele potencia a vida. É a existência que geme de prazer e de dor. A dor existe em cada investida do animal portentoso e os seus olhos espelham o acto, a vida a ser cobrida por ele. O touro.
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Húmido, o dia começara diferente, havia uma placidez no ar, um género de fragrância vaginal, um misto de ternura e animalidade venturosa, suplicando por prazer. À tarde tudo mudara, havia no ar uma afronta, um pecado por responder, e ninguém sabia o que dizer. Calado eu olhava o pôr-do-sol e pensava: tudo na vida depende do modo como encaramos a vida. A vida é uma forma de arte, depende de perspectivas, de períodos históricos, de movimentações intelectuais e sociais. A vida pode ser um pecado agora, mas tudo depende da época em que se está a viver.
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O sonho é uma eternidade esperançosa, apenas aqueles fragmentos de desejo se tornarão músicas audíveis em nós. Somente os sonhos não são fragmentos ilusórios, pedaços de desejos virtuais. São reais os sonhos, os sonhos são como a existência. O sonhos são desejos esperançosos, reluzentes da única realidade que existe. Descobre-a.
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É assim que eu te sonho. Faz-nos a vontade, ninguém consegue ser tão nulo quanto eu que, agora, me lembro do passado. Nós queremos ser como tu, mas não sei se, ao menos, tu conseguirás ser como tu. Ao menos eu espero ser como no passado, um ser como ninguém, assim como tu. Mas, tu serás assim eternamente, eu apenas o fui por alguns instantes, fugazes momentos reluzentes. Quando olho o acontecido apenas sei que um sonho é uma eternidade esperançosa, assim como tu o és para nós. Assim, como eu agora te sonho.
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Ruído, barulhos que ao longe parecem aqui, dentro de mim. Parecem nascer além, naquele recanto de mim, onde tu não estás. Serei eternamente um ser com ruído, serei assim, porque sem ti não terei nunca silêncio. Preciso de ti. Muito antes de eu existir, já tu me sonhavas e, depois que me criaste, nunca mais consegui relembrar o passado, nunca mais fui um ser depressivo. Até agora, uma vez que a tua ausência me recorda esses dias que já não mais existem. Sem ti a vida não é. Sem ti. Sem ti é tudo muito mais ruidoso, como uma música que desagrada. Afinal, tu não foste, quem se ausentou de mim fui eu. Basta-me caminhar até aquela luz que brilha ao fundo do coração, aí, tu continuas a olhar-me, ai, tu continuas a procurar-me com o teu abraço, aí, continuamos a dançar abraçados. Eu e tu, nós. Deus.
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