Atelier da Palavra

Viver

Setembro 6, 2009 · Deixe um comentário

E o vento, e a luz da manhã, e o mar, o mar… inspirar apenas, inspirar, aguentar o sopro e expirar, humm, expirar, então a vida é vivida e o passado ou se esquece ou se recorda, então, ou se deixa entrar o futuro ou se recorda o passado. Viver é, pois, fazer uma opção: ou viver o que acontece ou relembrar o que foi vivido. Vida. Vida.

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A framboesa

Setembro 5, 2009 · Deixe um comentário

A framboesa cintila, envergonhada ficou vermelha como um tomate, corou a framboesa. Eu, de feliz, toquei-a, então colhi-a e deliciado com o seu paladar emudeci. A framboesa.

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E a luz? Os teus olhos

Setembro 3, 2009 · Deixe um comentário

E a sombra se alongou num céu de nuvens e tu foste a nuvem e eu a sombra alongando-me.

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Canção de embalar, embalar a existência

Setembro 2, 2009 · Deixe um comentário

A luz que das portas entreabertas assalta as cadeiras velhas, doentes do bicho que as consomem, e eu e tu doentes, consumidos pelo acto de existir sopramos ar, como uma panela expulsando vapor. Nós somos a letra  de uma canção de embalar.

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A vida

Agosto 25, 2009 · Deixe um comentário

Imaginar a volta que é o rodopio e  o impulso de existir, rolar como um berlinde ou voar como uma seta e no alvo pousar como quem acaricia. É a vida.

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Eu e tu

Agosto 21, 2009 · Deixe um comentário

Enrolar o dedo no cabelo, sorrir como quem rapa o fundo da sobriedade e olhar o pairar do gavião. Depois dizer: Amo-te!, como quem afirma e sorrir de novo. Então as estrelas sobem mais alto no raiar do dia e desaparecem nessa verticalidade suspeita, e o sol desenrola-se pela altitude acima, estacando bem perante o nosso olhar, só depois a natureza, num instinto, te responde, eu te seguro e tu me permites o gesto, és agora quem eu sou e pensas o mesmo, que eu sou quem tu és, neste instante, nem eu nem tu existimos, só o amor se faz presente enquanto eu e tu vamos ao infinito de mãos dadas.

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Da incerteza

Agosto 21, 2009 · 4 Comentários

O fio de cabelo acastanhado balouça numa descida cândida e no tampo da mesa se deita, adormecendo como um anjo. Olhei-o; com passos de lã, os meus dedos o pegaram ao colo e elevaram-no aos meus lábios, então, eu o soprei em direcção ao  mundo que eu próprio desconheço e com ele fui viver o incerto. Para onde iremos?

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Ser é a arte

Agosto 19, 2009 · Deixe um comentário

Sou aquilo lá longe que observa a festa e diz para consigo, sou diferente de tudo? Esse não sou eu, porque esse é separado de mim, e eu sou tudo, até esse que, ao longe, olha a festa e fala. Olhar a festa e ser a festa é ser a totalidade da existência, é ser. Quando a onda se apanha, por os instantes em que a onda resvala connosco, a divisão não existe. Só quando a divisão aparece, a onda continua e nós olhamo-la ir.

Ser é a arte!

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Agora que observo

Agosto 19, 2009 · Deixe um comentário

Rodopia, que a luz é brilhante. Rodopia a vida como um pião e eu… não sei descrever o que sinto. Sou um analfabeto dos sentidos, sinto mas não conheço as letras que compõem as frases do que sinto. Penso mesmo que o sentir é como o ver, quando sentimos vemos a forma e não o conteúdo. Talvez não, é a antítese!

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Subir

Agosto 19, 2009 · 1 Comentário

Subir, a calçada resvala e em mim a vida se ampara. Subo, a alma ganha fôlego e sopra-me ao vento e eu salpicado de sonhos peço perdão. Subo, não sei nada de mim, nem do infinito que sou. Subo, até tudo recomeçar e eu ser uma vez mais quem sou. Subo, quem sou?

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